O céu alaranjado em uma parte e azul escuro em outra, como quando se tem um pôr-do-sol com o céu limpo. Tinhamos acabado a partida poucos minutos atras e agora ele estava deitado ao lado do tabuleiro com aquela cara pálida de quem não perdia um jogo há séculos.
12.11.08
ShāhMāt!
Escrito à lápis por Amanda 5 rabiscos
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29.10.08
TopSecrets.!
Talvez muita gente tenha notado e quando eu chegar não tem mais nada. Corri!
Naquela hora não tinha explicação - ainda hoje não tem - um deles tinha caído e era por isso que todos observavam atentos com os rostos virados para baixo. Recolhi devagarinho e levei comigo como quem leva um tesouro. Eu tinha uma estrela nas mãos.
Era pequenina, meio tímida e desajeitada, talvez tivesse tropeçado nos próprios pés para cair ali.
"- Não se preocupe, isso vive acontecendo."
Isso vive acontecendo? E como ninguém vê? As pessoas não olham mais pra cima? Não fazem mais pedidos as estrelas cadentes? Elas morrem depois disso?
Cuidava todos os dias e a comida favorita dela eram as histórias e fantasias infantis. Ficava radiante, mas quando pôde andar sozinha decidiu voltar. Dava pra ver que todos a recebiam brilhando e viravam as costas para o mundo aqui em baixo.
Eu estava feliz, só que elas me esqueceram agora que devolvi a parte que faltava.
Minha surpresa veio no outro dia, lá estava mais uma desabando. Duas, três, incontáveis. Todos os dias.
Ainda pego, levo pra casa, cuido, conto histórias e as vejo dormir até ficarem boas e resolverem subir. Enquanto devolvo e pinto outra luzinha fico pensando que seria bacana se eu aprendesse cair ao contrário, pra dentro do céu.
Digo que vou ser sempre a apanhadora de estrelas, mas elas nunca dizem se vão me levar lá pra cima.
Foto por: Mim. Uma das minhas mil e uma manias.
Escrito à lápis por Amanda 5 rabiscos
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23.10.08
CottonCandy!
:*
Escrito à lápis por Amanda 4 rabiscos
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9.10.08
Discrepância
Muita gente, poucas pessoas. É disto que o mundo é feito.
Seria mais bonito se a vida fosse feita de detalhes, menos perguntas, respostas mais curtas e os pequenos prazeres pessoais.
Deixar de lado a investigação exagerada e admitir que as nuvens são algodão-doce, a lua é queijo suíço e estrelas são os buraquinhos do céu.
Não deveria ser tão complicado enxergar as coisas simples: nariz de porco é tomada, tomada é choque escondido, esconder é fechar os olhos e então a gente fica invisível. Em dia frio meia de lã na mão é luva, em dia quente mangueira vira piscina. Irmão é ao mesmo tempo inimigo e aliado, guerra sangrenta e acordo de paz. Com conjuntivite somos piratas e o passarinho que estava na gaiola vai parar no ombro. A vassoura vira cavalo, tampa de panelas bateria, gelo com palitinho picolé incolor, creme de barbear é torta de chantilly e bolo de aniversário a gente fura com o dedo.
Só saudade. Saudade da inocência dos olhos capazes de ver coelhos na lua, de passar horas olhando o nada. Dos olhos com sorrisos embutidos e lágrimas teimosas. Olhos com corações a mostra, transparentes de fora para dentro. Olhares mudos fofoqueiros.
Saudade das palavras combinadas minuciosamente, aliás, saudade das não-palavras. Das conversas sem falar. De todo aquele tempo livre que aproveitamos fazendo absolutamente nada. Do desperdício de vida mais bem aproveitado.Saudade crônica.
Escrito à lápis por Amanda 12 rabiscos
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5.10.08
Tempo de Morangos
Uma reviravolta e quando se dá conta lá está o mundo de ponta cabeça outra vez.
Não erramos ao tentar consertar, erguer a cabeça e seguir em frente. Totalmente plausível.
O erro está na esperança depositada em lugares errados. A mania do "inalcançável", a vontade de ser super-herói e conseguir mostrar para todos que enfrenta e faz tudo sozinho, ser um semi-deus para esconder fraquezas.
Ser forte é admitir erros terríveis, abrir mão de ser protagonista e sentir o gosto de ser coadjuvante. Poupar-se. Perder!
Não há ato mais heróico que matar a própria esperança - A luta mais particular e solitária. Sufocar a vontade de gritar sentimentos, a ânsia de apertar pessoas e abraçar até deixar sem ar. Tentar apagar o desejo irresistível.
Heroísmo é ser perdedor de si mesmo, auto-derrota que ao mesmo tempo te dá o último e primeiro lugares. Arrancar velhos baobás enraizados para esperar a temporada de morangos chegar.
Sofrimento mudo.
Nota(s):
Rifo um coração
Compro sementes de morangos
Vendo baobás semi-novos para corte.
Vou voltar mais vezes!
Clique:
Vozes Inspiradoras
Escrito à lápis por Amanda 4 rabiscos
Marcadores: Monologando., Reticências
16.9.08
18 anos de sorte no jogo
Nunca repassei e-mails do tipo "mande para duas mil quatrocentos e cinquenta e sete pessoas ou nunca encontrará seu grande amor", bobagem!
No primário não respondia caderno de perguntas - "Nem a pau" era o que eu dizia. Tudo por causa do final deles, agora escreva o seu ou não vai viver com seu príncipe encantado. Não acredito em príncipe encantado!
Passei várias vezes por baixo das escadas, quebrei espelhos, criei gato preto, andei de costas, deixei chinelos virados, bebi água de ponta cabeça. Nunca bati na madeira.
Sem essa de amuletos, pé de coelho, figas, corações, trevo de quatro folhas. Dispensável. Nunca fiz simpatias, nem aquelas mais fáceis do tipo: coloque o nome do seu amado debaixo do travesseiro.
Na virada de ano nunca pulei com o pé direito, nunca usei calcinha rosa, vermelha, colorida. Não fazia pedidos, nem comia 7 uvas, nem guardava sementes e nem dava pulinhos.
Nunca combinei signos, nunca fiquei paranóica fazendo mapas astrais cruzados.
Azar no jogo sorte no amor?
Vou levar três vidas e meia pra consertar tudo isso.
Notinha:
- Eu não morri :]
Escrito à lápis por Amanda 7 rabiscos
Marcadores: a volta dos que nao foram
3.9.08
"guii-lhooo-tiiii-naa...
...eu que controlo o meu guido-On"
Andar de bicicleta faz bem para a alma e para o corpo - exceto quando se está à dois anos sem encostar a bunda no selim, mas detalhes, detalhes.
Enquanto aproveitava meu horário de almoço para queimar calorias e se matar na marcha pesada aliviar a cabeça e dar uma volta de bike acabei me "literaturando" e descobri que só gostei, aliás terminei feliz, os livros que eu me achei dentro deles.
De repente me vejo toda Macabéa: Na esquina esperando o carro passar para atravessar a rua, passou, esqueci de atravessar. Tudo porque estava pensando em coisas como "eu gosto de parafuso e prego", tá bom não tinha parafuso nem prego no meio, mas eu também queria acordar mais cedo no domingo pra ficar mais tempo sem fazer nada hahaha, fora o cara que vive "tizorando" seus devaneios.
Outra hora me enxergo meio Pequeno Prícipe: Capaz de suportar duas ou três lagartas para ver uma borboleta, um mundo com uma rosa só,uma raposa que quer ser cativada, mundos diferentes que não me encaixo, etc etc etc.
Depois me atrevo e sou Lily: Fria e manipuladora, adaptando-me a situações que me convêm ser quem eu devo, "eu nunca vou dizer que te amo por mais que eu ame" things like these.
Me sinto Liesel Memminger: A roubadora de livros, que gosta do judeu na Alemanha nazista, que nunca mais vai experimentar champagne para não esquecer o gosto que teve em uma noite no passado, que nega beijos e só sabe que ama depois que ele morreu, que enrola cigarros para não fumar, que lê em voz alta e que quer dar um pedaço de céu para alguém.
Mas aí mudei de idéia, quero ser Rudy Steiner: Pula no rio para pegar o livro da amiga, se pinta de barro e sai correndo para ser Jessé Owens, chama a pessoa que mais gosta no mundo todo de Saumensh.
Enfim sou Zezé: Mato devagarzinho deixando de gostar, converso com Meu Pé de Laranja Lima e desconhecidos, faço cobras de meia-calça para assustar mulheres grávidas, acho que não deviam contar as coisas para crianças e que uma vida sem ternura não á lá muita coisa, quero uma roupa de poeta. Pego o revólver de Buck Jones e faço Bum!
Elementar mesmo, meu caro Watson é que andar de bicicleta no sol do meio dia faz isso com as pessoas.
Escrito à lápis por Amanda 6 rabiscos
Marcadores: Literaturando-me, patinetes

