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12.11.08

ShāhMāt!

O céu alaranjado em uma parte e azul escuro em outra, como quando se tem um pôr-do-sol com o céu limpo. Tinhamos acabado a partida poucos minutos atras e agora ele estava deitado ao lado do tabuleiro com aquela cara pálida de quem não perdia um jogo há séculos.

Do outro lado estava ela, imponente e grandiosa em sua pequena roupa. Como quando a delicadeza se funde ao peso e não se pode mais carregar, eu parecia levar nas mãos a responsabilidade do que parecia uma tortura. Como ele pôde cair nas armadilhas mal armadas e perder toda a postura intocável?
Meus movimentos grandes e a possibilidade de explorar cada canto do tabuleiro era costrangedora quando pensava que tudo o que o pequeno branquelo podia fazer era dar um passo de cada vez. Sem atropelar as pernas eu escorregava entre o quadriculado dicromático feito uma dançarina no gelo e acertava em cheio cada tentativa de proteção ou fuga. Estranho era me ver com as mãos sobre meu próprio corpo tecendo teias ao redor dele, pregando e movendo peças na brincadeira que se faria infinita. Mas foi invertido.
Como se sentem os reis na hora do xeque-mate?

29.10.08

TopSecrets.!


Saí correndo para ver o que era e me deparei com o céu mais lindo da minha vida, era como se todos os astros estivessem olhando para baixo, por um momento fiquei ali paralizada, mas me lembrei que alguma coisa tinha caído de lá. Corri!
Talvez muita gente tenha notado e quando eu chegar não tem mais nada. Corri!
Naquela hora não tinha explicação - ainda hoje não tem - um deles tinha caído e era por isso que todos observavam atentos com os rostos virados para baixo. Recolhi devagarinho e levei comigo como quem leva um tesouro. Eu tinha uma estrela nas mãos.
Era pequenina, meio tímida e desajeitada, talvez tivesse tropeçado nos próprios pés para cair ali.
"- Não se preocupe, isso vive acontecendo."
Isso vive acontecendo? E como ninguém vê? As pessoas não olham mais pra cima? Não fazem mais pedidos as estrelas cadentes? Elas morrem depois disso?
Cuidava todos os dias e a comida favorita dela eram as histórias e fantasias infantis. Ficava radiante, mas quando pôde andar sozinha decidiu voltar. Dava pra ver que todos a recebiam brilhando e viravam as costas para o mundo aqui em baixo.
Eu estava feliz, só que elas me esqueceram agora que devolvi a parte que faltava.
Minha surpresa veio no outro dia, lá estava mais uma desabando. Duas, três, incontáveis. Todos os dias.
Ainda pego, levo pra casa, cuido, conto histórias e as vejo dormir até ficarem boas e resolverem subir. Enquanto devolvo e pinto outra luzinha fico pensando que seria bacana se eu aprendesse cair ao contrário, pra dentro do céu.

Digo que vou ser sempre a apanhadora de estrelas, mas elas nunca dizem se vão me levar lá pra cima.


Foto por: Mim. Uma das minhas mil e uma manias.