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12.11.08

ShāhMāt!

O céu alaranjado em uma parte e azul escuro em outra, como quando se tem um pôr-do-sol com o céu limpo. Tinhamos acabado a partida poucos minutos atras e agora ele estava deitado ao lado do tabuleiro com aquela cara pálida de quem não perdia um jogo há séculos.

Do outro lado estava ela, imponente e grandiosa em sua pequena roupa. Como quando a delicadeza se funde ao peso e não se pode mais carregar, eu parecia levar nas mãos a responsabilidade do que parecia uma tortura. Como ele pôde cair nas armadilhas mal armadas e perder toda a postura intocável?
Meus movimentos grandes e a possibilidade de explorar cada canto do tabuleiro era costrangedora quando pensava que tudo o que o pequeno branquelo podia fazer era dar um passo de cada vez. Sem atropelar as pernas eu escorregava entre o quadriculado dicromático feito uma dançarina no gelo e acertava em cheio cada tentativa de proteção ou fuga. Estranho era me ver com as mãos sobre meu próprio corpo tecendo teias ao redor dele, pregando e movendo peças na brincadeira que se faria infinita. Mas foi invertido.
Como se sentem os reis na hora do xeque-mate?

3.9.08

"guii-lhooo-tiiii-naa...

...eu que controlo o meu guido-On"

Andar de bicicleta faz bem para a alma e para o corpo - exceto quando se está à dois anos sem encostar a bunda no selim, mas detalhes, detalhes.
Enquanto aproveitava meu horário de almoço para queimar calorias e se matar na marcha pesada aliviar a cabeça e dar uma volta de bike acabei me "literaturando" e descobri que só gostei, aliás terminei feliz, os livros que eu me achei dentro deles.
De repente me vejo toda Macabéa: Na esquina esperando o carro passar para atravessar a rua, passou, esqueci de atravessar. Tudo porque estava pensando em coisas como "eu gosto de parafuso e prego", tá bom não tinha parafuso nem prego no meio, mas eu também queria acordar mais cedo no domingo pra ficar mais tempo sem fazer nada hahaha, fora o cara que vive "tizorando" seus devaneios.
Outra hora me enxergo meio Pequeno Prícipe: Capaz de suportar duas ou três lagartas para ver uma borboleta, um mundo com uma rosa só,uma raposa que quer ser cativada, mundos diferentes que não me encaixo, etc etc etc.
Depois me atrevo e sou Lily: Fria e manipuladora, adaptando-me a situações que me convêm ser quem eu devo, "eu nunca vou dizer que te amo por mais que eu ame" things like these.
Me sinto Liesel Memminger: A roubadora de livros, que gosta do judeu na Alemanha nazista, que nunca mais vai experimentar champagne para não esquecer o gosto que teve em uma noite no passado, que nega beijos e só sabe que ama depois que ele morreu, que enrola cigarros para não fumar, que lê em voz alta e que quer dar um pedaço de céu para alguém.
Mas aí mudei de idéia, quero ser Rudy Steiner: Pula no rio para pegar o livro da amiga, se pinta de barro e sai correndo para ser Jessé Owens, chama a pessoa que mais gosta no mundo todo de Saumensh.
Enfim sou Zezé: Mato devagarzinho deixando de gostar, converso com Meu Pé de Laranja Lima e desconhecidos, faço cobras de meia-calça para assustar mulheres grávidas, acho que não deviam contar as coisas para crianças e que uma vida sem ternura não á lá muita coisa, quero uma roupa de poeta. Pego o revólver de Buck Jones e faço Bum!

Elementar mesmo, meu caro Watson é que andar de bicicleta no sol do meio dia faz isso com as pessoas.

21.8.08

Gossips

"Ouvi dizer que ela só está com ele por interesse. Deve ser golpe da barriga ou algo do tipo afinal, ele nunca estaria com ela se não tivesse boas razões, na certa ela faz e dá tudo o que ele pede, é uma descarada mesmo, anda por aí com aquela cara de inocente que não é *suspiro*. Ridícula! Tomara que não dê certo e ele enxergue logo que o que ela gosta é andar por aí botando banca ao lado dele e..."

A gente mal tinha engrenado o namoro e já se ouvia bastante coisas desse tipo. Duas semanas (ou três, eu nunca lembro datas...) já estavam me fazendo ver que vai ser uma caminhada difícil (e gostosa hahaha, fato).
Se eu pensava em desistir? Não penso.

"Que coragem menina, até parece que não sabe a fama dele, com essa cara de bonzinho quando está com você, aposto que quando vira as costas lá está ele flertando outra baixinha morena com cara de sono feito tu. Fica esperta, vai devagar. Quer continuar com essa palhaçada continua, mas não diga que eu não avisei."

Segunda feira. Que tipo de relacionamento vai pra frente quando vocês estão juntos numa SEGUNDA FEIRA? Não sei não!
Só sei que lá estavamos - sim estavavamos, essa historia é tão minha quanto a de baixo, a outra, a outra e bah, quase todas - lá estávamos: Eu, ele, a televisão e o celular. O combinado era assistir um filme, mas eu nunca cumpro combinados, já falei isso? Pois é, eu não ligo quando digo que ligaria, eu não vou quando digo que iria, não faço quando digo que faria, acho que devia ter nascido homem haha.

"Vixi, você vai devagar tá? Não é lá flor que se cheire, tem jeito de conquistador e fora as meninas que andam se jogando aos pés dele, olhe, se eu fosse você pensava duas vezes"

O telefone tocou, e como diria Nay: "Ah! se estivesse no silencioso..."
Se eu sei o final do filme? Não.
Se aconteceu alguma coisa? Não.
Se eu sei quanto tempo vai durar o não acima? Não.

Poxa...
Eu gosto de mãos, braços, dedos, linguas e o que eles podem fazer. Que culpa tenho eu?

13.8.08

Eu gosto é do estrago

...
De ficar de pernas pro ar esperando o tempo passar, de fazer as coisas sem pensar. De jogar vôlei sem rede, futebol sem gol, de me jogar.
Eu prefiro o lado oposto, andar descalsa em dia frio e de meias no verão. Estourar plástico bolha em aula chata. Prefiro anoitecer.
Eu gosto de errar os pares, de fingir que não vi, de trocar palavras, de embaralhar, derrubar dominós e castelos de cartas. Minha cor favorita não é rosa, nem azul, nem preto... eu gosto é do pôr-do-Sol. Me dou melhor com crianças, com o difícil, o complicado, sempre fui mais com a cara dos bagunceiros.
"Des-pensar", desajustar, desagrupar, desfazer, desenhar!
Os problemáticos, os rejeitados, os confusos, os incertos, imprevisíveis... os que valem a pena.
Eu gosto de vírgulas, de exclamações, de interrogações e até de reticências, só me dói o ponto final. Tenho queda por frases mal feitas, palavras mal combinadas, rimas mal rimadas. Junto hoje com amanhã e ontem eu esqueço. Tento fazer música. Surto quando acaba a bateria, quando algo atrasa, quando perco anotações. Surto à torto e direita.
Uma porção de manias. Uma tonelada de sonhos.
Tento me convencer do que não existe, tento manter os pés no chão, tenho a cabeça na lua. Invento palavras, misturo idiomas, sentimentos, humores, dias da semana.
Faço contagem regressiva, marco calendários, me perco no fim do mês.
Falo pouco pra irritar, digo sim pra provocar. Prefiro contradizer, prefiro teimosia. Tenho teorias absurdas, defendo opiniões até a morte, as minhas!
Acho sorvete melhor no inverno, o céu mais bonito na primavera, café mais saboroso no outono e homem mais gostoso no verão.

...
Ah, não termino textos.

1.8.08

Abre Aspas.

Segunda-feira 6:30.

Jogada debaixo do chuveiro em um daqueles banhos "shampoo na cabeça e deixa que a água faça seu trabalho" pensando em coisas como:
"Tenho que terminar o relatório até às 11, pagar a conta de luz e telefone, porque eu gasto tanto telefone assim gente? Deve ser algo genético. E o dentista marquei pra que dia mesmo? Fazer as unhas, minhas cutículas estão monstruosas, depilar a perna antes que volte ao homo erectus ..."

Abre o box, pega a toalha, pisa no tapetinho e põe as pantufas.
"27 anos e ainda uso pantufas, que tipo de pessoa sou eu, aliás, sou só eu? Droooga, molhei todo o chão, onde será que coloquei o rodo? Deixa pra lá. Olheiras, olheiras, tenho que dormir mais, mas como? Não aguento mais, preciso de um trabalho vespertino."
Abre o espelho, pega a escova e pasta - aperta bem no meio.
"Adoro apertar no meio, qual o problema de se apertar assim? Bando de psicopatas."
Secador ligado.
"Barulho, barulho, barulho, minha próxima invensão vai ser um secador silencioso, ou pra ser mais humilde um silenciador de secadores. Tudo que eu queria era ir trabalhar de cabelo molhado, ao menos uma vez"
Se arrasta até o quarto, abre o guarda-roupas e pega o terninho preto riscado, a calça preta riscada, a camisete branca, o scarpin preto entre outros terninhos pretos, calças pretas, camisetes brancas.
"Laura, 7:30a.m. diretamente de um velório. Cores, quero cores. Vou trabalhar de sandálias cor-de-rosa e bermuda amarela, o chefe vai infartar"
Gargalhadas soltas. Pega a saia preta e as sapatilhas vermelhas.
"Ah, mudar faz bem."
Na cozinha abre a geladeira: Gelatina diet, leite desnatado, mamão papaia, pão integral, iogurte natural...
"Urgh. Cadê o bolo de chocolate que deixei aqui? Caramba! Tô atrasada. Droga, droga, droga, cadê a chave do carro? Cadê o celular? Uffa, estão na bolsa .... CADÊ MINHA BOLSA?"
Recolhe tudo, esquece o casaco, volta correndo, esbarra na poltrona, bate a porta, esqueceu a chave, abre a porta e sai correndo.
"Esqueci de fechar a porta"
Sobe as escadas, fecha a porta, desce escadas, entra no carro, liga o som, põe o cinto, sai da garagem.
"Mais um dia comum"



Marcadores: "Mulherzinha" e patinetes
Quem coloca patinete como marcador? hahaha