Muita gente, poucas pessoas. É disto que o mundo é feito.
Seria mais bonito se a vida fosse feita de detalhes, menos perguntas, respostas mais curtas e os pequenos prazeres pessoais.
Deixar de lado a investigação exagerada e admitir que as nuvens são algodão-doce, a lua é queijo suíço e estrelas são os buraquinhos do céu.
Não deveria ser tão complicado enxergar as coisas simples: nariz de porco é tomada, tomada é choque escondido, esconder é fechar os olhos e então a gente fica invisível. Em dia frio meia de lã na mão é luva, em dia quente mangueira vira piscina. Irmão é ao mesmo tempo inimigo e aliado, guerra sangrenta e acordo de paz. Com conjuntivite somos piratas e o passarinho que estava na gaiola vai parar no ombro. A vassoura vira cavalo, tampa de panelas bateria, gelo com palitinho picolé incolor, creme de barbear é torta de chantilly e bolo de aniversário a gente fura com o dedo.
Só saudade. Saudade da inocência dos olhos capazes de ver coelhos na lua, de passar horas olhando o nada. Dos olhos com sorrisos embutidos e lágrimas teimosas. Olhos com corações a mostra, transparentes de fora para dentro. Olhares mudos fofoqueiros.
Saudade das palavras combinadas minuciosamente, aliás, saudade das não-palavras. Das conversas sem falar. De todo aquele tempo livre que aproveitamos fazendo absolutamente nada. Do desperdício de vida mais bem aproveitado.Saudade crônica.
9.10.08
Discrepância
Escrito à lápis por Amanda 12 rabiscos
Marcadores: Monologando., Reticências
5.10.08
Tempo de Morangos
Uma reviravolta e quando se dá conta lá está o mundo de ponta cabeça outra vez.
Não erramos ao tentar consertar, erguer a cabeça e seguir em frente. Totalmente plausível.
O erro está na esperança depositada em lugares errados. A mania do "inalcançável", a vontade de ser super-herói e conseguir mostrar para todos que enfrenta e faz tudo sozinho, ser um semi-deus para esconder fraquezas.
Ser forte é admitir erros terríveis, abrir mão de ser protagonista e sentir o gosto de ser coadjuvante. Poupar-se. Perder!
Não há ato mais heróico que matar a própria esperança - A luta mais particular e solitária. Sufocar a vontade de gritar sentimentos, a ânsia de apertar pessoas e abraçar até deixar sem ar. Tentar apagar o desejo irresistível.
Heroísmo é ser perdedor de si mesmo, auto-derrota que ao mesmo tempo te dá o último e primeiro lugares. Arrancar velhos baobás enraizados para esperar a temporada de morangos chegar.
Sofrimento mudo.
Nota(s):
Rifo um coração
Compro sementes de morangos
Vendo baobás semi-novos para corte.
Vou voltar mais vezes!
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Vozes Inspiradoras
Escrito à lápis por Amanda 4 rabiscos
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18.7.08
Droga, me apaixonei!
É sempre assim que começa.
O mar de rosas, o mundo cor-de-rosa
(por que tudo é rosa quando se fala sobre isso?)
Estou vivendo um conto de fadas! Nossa história vai virar livro, filme, novela, uma peça de teatro quem sabe.
Isso dura lá um tempo razoável, até que você começa perceber os defeitos e que a perfeição não é tão perfeita assim, mas ok, todos temos.
Ok? E quando chega o ponto de notar somente os defeitos? Não somos só defeitos, certo?
E enfim, a magia acaba!
Daí que quando estamos mal, não aparece um dito-cujo pra dizer: calma, tu vai ficar bem.
E a dor quem carrega é você.
Então começa a via crucis, que é mais ou menos nessa ordem:
Primeiro o soco no estômago.
Daqueles de tirar o ar por dias. Feito corte no céu da boca, você tenta não chorar pensando que é a pior coisa agora, "não vou chorar, não vou chorar", os olhos se enxem de água e ainda naquela, parece que te enfiam cebolas nos olhos, antes fosse. O outro faz questão de arrancar tuas víceras pelo nariz, mas pode dizer, se fosse você no lugar dele faria o mesmo!
Depois vem a depressão, a sala vazia e escura.
"Não quero ver o mundo lá fora", você pensa. Talvez nunca mais seja a mesma coisa, talvez nunca mais haja vida. Nada mais vale a pena, tudo o que pode melhorar é ficar trancado no quarto com uma pilha de barras de chocolate e um travesseiro quentinho.
E então: Haja luz!
Um belo dia te ligam, ahá, é tudo o que precisa. Vai, dança, bebe, descontração total, mas adivinhe quem teve uma idéia parecidíssima. Lá vem a nuvem negra. "Não dessa vez" pensa com seus botões. Lá mesmo acaba conhecendo aquela pessoa, aquela que você sempre sonhou.
E enfim...
Droga, me apaixonei outra vez.
É mesmo um círculo vicioso, é sim!
Escrito à lápis por Amanda 5 rabiscos
Marcadores: Lixo, Monologando., Projetos Malacabados