Ele
Que fica em casa e espera a poeira baixar, torce pelo palmeiras mas não gosta de futebol, faz asneira e se arrepende, procura alguém pra abraçar, bonito e de olhos claros, vai de carro até a esquina, espera ligações, rotineiro, come o dia todo, mil garotas aos seus pés e nem é um partido tão bom assim.
Procura conselhos, pensa duas vezes, planeja o futuro.
Quer ficar por aqui e ter uma família grande, uma casa legal, filhos, gato, cachorro, esposa e viajar todo fim de ano.
Sabe cozinhar, três celulares no bolso, detesta internet, nem sabe o que é um blog. Aprende e esquece na mesma velocidade. Levou a vida pelo lado mais difícil e agora resolveu mudar, quer tomar jeito.
"De tudo ao meu amor serei atento, antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto" é a sua cara.
O par ideal é carinhosa, companheira e compreensiva. Morre de ciúmes e faz bico, pede atenção excessiva, grudento e cuidadoso têm o mesmo significado no seu dicionário.
Ela
Que arrebenta a porta e resolve na hora, adora futebol mas nem sabe o que é impedimento (?), leva a vida errando e consertando sem peso na consciência, quer carinho no pescoço, engraçadinha e olhos negros, anda de bicicleta na sala e dorme no quintal, não liga nem espera, esquece de comer, pisa em amores e quebra corações.
Dá conselhos mas não ouve, suas escolhas são só suas, tem ânsia de viver. Quer alguém que ande de patins pelas ruas e tenha mochila nas costas, compre comida em fast food, beije seus dedos e queira morar fora.
Na cozinha uma negação, na organização nota zero, mas tem boa memória! Lembra de coisas pequenas e de grandes mágoas com a mesma intensidade.
Procura o caminho mais fácil para não olhar pra trás.
Esculachada, fala sobre tudo, fala palavrões, fala com todo mundo, acha besteira coisas sérias e faz piadas.
"O amor é vermelho. O ciúme é verde. Meus olhos são verdes. Mas são verdes tão escuros que na fotografia saem negros. Meu segredo é ter os olhos verdes e ninguém saber." a define com perfeição.
Não sabe diferenciar desapego de individualidade.
Por que, afinal, haveriam de se gostar tanto?
Agradecimento Relâmpago:
Queria falar obrigada pelo presente ali do lado óóóó ->
e dizer pra tu, que conseguiu ter a paciência de ler até aqui, pra passar lá no Resolvida Na Vida, ler, comentar, etc e tal. Também quero mandar um beijo pra minha mãe, pro meu pai, pra minha vó, pro Gui, pra Nay, pro Jeh... (Ad Infinitum)
"Com o Prêmio Dardos se reconhecem os valores que cada blogueiro mostra cada dia em seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Que em suma, demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras.O Prêmio Dardos tem certas regras:1. Aceitar exibir a distinta imagem ( que está no canto direito, abaixo da minha fotinho).2. Linkar o blog do qual recebeu o prêmio.3. Escolher quinze 15 blogs para entregar o Prêmio Dardos. "
Imagem: Ok
Linkar de quem recebi: OK
Escolher 15 blogs:
http://tataahzinha.blogspot.com/
http://jeuflower.blogspot.com/
http://pseudo-nerd.blogspot.com/
http://guilupin.blogspot.com/
http://cafeaulaitavecmoi.blogspot.com/
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7.8.08
"Outredade"
Escrito à lápis por Amanda 6 rabiscos
Marcadores: Patético
1.8.08
Abre Aspas.
Segunda-feira 6:30.
Jogada debaixo do chuveiro em um daqueles banhos "shampoo na cabeça e deixa que a água faça seu trabalho" pensando em coisas como:
"Tenho que terminar o relatório até às 11, pagar a conta de luz e telefone, porque eu gasto tanto telefone assim gente? Deve ser algo genético. E o dentista marquei pra que dia mesmo? Fazer as unhas, minhas cutículas estão monstruosas, depilar a perna antes que volte ao homo erectus ..."
Abre o box, pega a toalha, pisa no tapetinho e põe as pantufas.
"27 anos e ainda uso pantufas, que tipo de pessoa sou eu, aliás, sou só eu? Droooga, molhei todo o chão, onde será que coloquei o rodo? Deixa pra lá. Olheiras, olheiras, tenho que dormir mais, mas como? Não aguento mais, preciso de um trabalho vespertino."
Abre o espelho, pega a escova e pasta - aperta bem no meio.
"Adoro apertar no meio, qual o problema de se apertar assim? Bando de psicopatas."
Secador ligado.
"Barulho, barulho, barulho, minha próxima invensão vai ser um secador silencioso, ou pra ser mais humilde um silenciador de secadores. Tudo que eu queria era ir trabalhar de cabelo molhado, ao menos uma vez"
Se arrasta até o quarto, abre o guarda-roupas e pega o terninho preto riscado, a calça preta riscada, a camisete branca, o scarpin preto entre outros terninhos pretos, calças pretas, camisetes brancas.
"Laura, 7:30a.m. diretamente de um velório. Cores, quero cores. Vou trabalhar de sandálias cor-de-rosa e bermuda amarela, o chefe vai infartar"
Gargalhadas soltas. Pega a saia preta e as sapatilhas vermelhas.
"Ah, mudar faz bem."
Na cozinha abre a geladeira: Gelatina diet, leite desnatado, mamão papaia, pão integral, iogurte natural...
"Urgh. Cadê o bolo de chocolate que deixei aqui? Caramba! Tô atrasada. Droga, droga, droga, cadê a chave do carro? Cadê o celular? Uffa, estão na bolsa .... CADÊ MINHA BOLSA?"
Recolhe tudo, esquece o casaco, volta correndo, esbarra na poltrona, bate a porta, esqueceu a chave, abre a porta e sai correndo.
"Esqueci de fechar a porta"
Sobe as escadas, fecha a porta, desce escadas, entra no carro, liga o som, põe o cinto, sai da garagem.
"Mais um dia comum"
Marcadores: "Mulherzinha" e patinetes
Quem coloca patinete como marcador? hahaha
Escrito à lápis por Amanda 5 rabiscos
Marcadores: Mulherzinha, patinetes
30.7.08
Folder.
De caneta vermelha um esboço do que colocaria no jornal do dia seguinte.
"Mulher 32 anos 25 anos, companheira para tudo,"
Na verdade tinha lá seus 32 mas o que são 7 anos quando seu interior ainda é jovem, não é mesmo? Gostava de sair mas nem tanto, pra ser sincera só ficava em casa e detestava qualquer idéia de ir pra rua, mas precisava de um homem ora bolas.
"divorciada, dois filhos amante de crianças e cães"
Se sentiu realmente esperta. Dois filhos quase criados, uma menina e um garoto, mas se dissesse as chances cairiam pela metade ou mais, contar depois era um bom negócio. Também não tinha paciência para os cães mas tinha dois, afinal semanas atrás os filhos espernearam em frente ao pet shop da esquina até conseguirem o que queriam - um poodle e uma pug, os dois hiperativos. Por que, Deus do céu, não escolheram peixinhos dourados?
"aprecio boa culinária"
Comida congelada, pré-cozida, instantânea e diet, ou, congelada-pré-cozida-instantânea-diet. Melhor que nada, pelo menos "sabia" cozinhar, morrer de fome não aconteceria, a gente pede uma pizza no sábado e fica tudo certo. Pipoca de microondas também era uma boa.
"bem resolvida e trabalhadora"
Se enquadrava melhor em "workaholic" do que trabalhadora, não largava o lap top nem antes de dormir. Por bem resolvida entenda, filhos, casa, cachorro e pacote completo, tudo bem feito. Crianças na escola, cachorros gordinhos, casa bagunçada - infância é fogo. Por pacote completo entenda: Não tenho empregada, tento manter o lugar organizado mas é difícil, louça na pia, roupa por passar, por lavar e por comprar, sapatos de ponta cabeça, brinquedos por todo lado e almofadas rasgadas.
"quase sempre bem humorada"
As duas palavras mais mal combinadas se estivesse falando dela. Poderia ter sido qualquer coisa - engraçada, bipolar, explosiva, imprevisível, tudo exceto bem humorada.
Reclamava, gritava, brigava, xingava, chorava e milhões de "avas". Mas mulher legal é mulher bem humorada, então era. Isso se não estivesse de TPM, extressada, nervosa, cansada, entediada. Ah, não eram tantos fatores consideráveis assim e também não era tão difícil, nem tinha nada à ver com alinhamento dos astros e essas coisas.
"procura:(...)"
E como procura.
A propaganda é a alma do negócio. Só esperava não parar no procon por isso, mas ontem mesmo tinha lido algo parecido.
"Homem 26, esportista, sincero, gosta de ficar em casa, adora crianças, paciente e companheiro, sem vícios, carinhoso e fiel, procura:"
Escrito à lápis por Amanda 4 rabiscos
Marcadores: Patético
25.7.08
Mera Mortal.
Era durona, coração preto e peludo, uma personalidade forte de doer, não se apaixonava, andava por aí pisoteando os pedaços dos corações que partia. Tinha tudo o que se precisa pra ser feliz. Amigos loucos, trabalho bom, cachorros pertubados, travesseiro macio e chocolate.
Alguns garotos andavam seguindo seus passos, acumulava paixões platônicas, colecionava eu te amos em variados sotaques e línguas, colava todos com água e farinha no album de figurinhas, os repetidos colocava na gaveta pra quem sabe mais tarde passar os olhos, massagem no ego.
Vamos ser sinceros, não era de uma beleza estonteante mas tinha lá seus charmes e mistérios, diziam que era encantadora, tinha voz doce e jeito de "cuida de mim". Não gostava!
Imprevisível, ou previsível, ou as duas coisas. Era contraditória. Seus planos eram óbvios, peculiares, obviamente peculiares - Um xalé com flores amarelas nas janelas, assoalho de madeira rústica, cortinas brancas e cheiro de pão quentinho o dia todo, um labrador amarelo gigante andando pra lá e pra cá e derrubando os enfeites, uma cama king size e edredom tamanho extra-grande (gostava de se enfiar naquilo tudo e olhar o nada), filme nos sábados chuvosos. Tudo sozinha.
Não dividia alegrias, nem receios, nem dores, nem nada, muito menos amor. Na única vez que tentou essa matemática de 1+1=2 pensou ter entrado num avião destino - paraíso. Calculou errado. Não quis tentar nunca mais.
As pessoas eram coisas. Não que isso seja ruim.
Uma era o espelho, conversava só pra se ver frente à frente. O outro o abrigo, só procurava quando era preciso.
Transformando sentimentos bonitos em outro totalmente o oposto. Metia o pé pelas mãos, terminava frases sérias com piadas de mal gosto. Dava risada da própria aflição. Só percebia que caiu quando sentia o chão. Era ridiculamente desajeitada.
...
Enfim se tornara um ser humano.
(ou não)
Aliás, nem tudo contido no blog me contém.
Escrito à lápis por Amanda 1 rabiscos
Marcadores: Bizarro muito bizarro
18.7.08
Droga, me apaixonei!
É sempre assim que começa.
O mar de rosas, o mundo cor-de-rosa
(por que tudo é rosa quando se fala sobre isso?)
Estou vivendo um conto de fadas! Nossa história vai virar livro, filme, novela, uma peça de teatro quem sabe.
Isso dura lá um tempo razoável, até que você começa perceber os defeitos e que a perfeição não é tão perfeita assim, mas ok, todos temos.
Ok? E quando chega o ponto de notar somente os defeitos? Não somos só defeitos, certo?
E enfim, a magia acaba!
Daí que quando estamos mal, não aparece um dito-cujo pra dizer: calma, tu vai ficar bem.
E a dor quem carrega é você.
Então começa a via crucis, que é mais ou menos nessa ordem:
Primeiro o soco no estômago.
Daqueles de tirar o ar por dias. Feito corte no céu da boca, você tenta não chorar pensando que é a pior coisa agora, "não vou chorar, não vou chorar", os olhos se enxem de água e ainda naquela, parece que te enfiam cebolas nos olhos, antes fosse. O outro faz questão de arrancar tuas víceras pelo nariz, mas pode dizer, se fosse você no lugar dele faria o mesmo!
Depois vem a depressão, a sala vazia e escura.
"Não quero ver o mundo lá fora", você pensa. Talvez nunca mais seja a mesma coisa, talvez nunca mais haja vida. Nada mais vale a pena, tudo o que pode melhorar é ficar trancado no quarto com uma pilha de barras de chocolate e um travesseiro quentinho.
E então: Haja luz!
Um belo dia te ligam, ahá, é tudo o que precisa. Vai, dança, bebe, descontração total, mas adivinhe quem teve uma idéia parecidíssima. Lá vem a nuvem negra. "Não dessa vez" pensa com seus botões. Lá mesmo acaba conhecendo aquela pessoa, aquela que você sempre sonhou.
E enfim...
Droga, me apaixonei outra vez.
É mesmo um círculo vicioso, é sim!
Escrito à lápis por Amanda 5 rabiscos
Marcadores: Lixo, Monologando., Projetos Malacabados
11.7.08
Respeitável público!!!
A vida é mesmo um picadeiro. Cada dia a gente tem de ser algo.
Dias de Malabarista.
Naqueles dias que tudo parece querer ser feito de uma vez só, e enquanto tu joga uma das bolinhas pra cima a outra já está caindo, aí tu pega e joga pra cima outra vez. Duas, três, quarenta e sete bolinhas. Quando bater o recorde de malabarismo com mais malabares é fácil!!
Dias de Mágico.
Tirar coelhos da cartola, levitar, serrar pessoas ao meio, desaparecer. Tudo o que eu queria era ser uma. Afinal, quer maneira mais fácil de sair das situações do que essas? Aliás, a gente vive mesmo fazendo mágica por aí. Enfeitiçando meio mundo e tirando as cartas das mangas.
Dias de Contorcionista.
Tudo parece lindo pra quem olha de fora: "nossa, ela faz isso tão fácil". Aí ninguém sabe quanto tempo levou pra tu conseguir passar dentro de uma caixinha de fósforo, mas é bem bonito ver as pessoas se contorcendo pra sair das situações. Contorcionismo nas respostas, nas perguntas. É pura elasticidade!!
Menina do pano, domador de leões, trapezista, engolidor de fogo, atirador de facas. Tanto faz!
No final a gente mais parece palhaço!
"vai vai vai começar a brincadeira"
Escrito à lápis por Amanda 0 rabiscos
Marcadores: Não deixe a bolinha cair., Superfulices.
9.7.08
E mais um.
Algumas coisas me deixam nostalgica.
Nostalgia!
Como se, de repente, ficassem todos os tempos dentro de um tempo só, e um tanto de lembranças, vontades e saudade se misturassem dentro de um único recipiente - Eu!
É só um ponto que ficou sem nó, nada de feridas abertas... Feridas vieram de dores que não lembramos com sorriso.
Porque por mais que aceite o fato de não mais ter aquilo que, na verdade, nunca tive. Ainda dá vontade de ter tido e é só olhar pro lado que ainda vou poder dizer:
Podia ter sido realmente uma linda história, e ainda pode, ou não, talvez sim... a vida se encarrega de dizer.
Ainda assim dá vontade de realizar todos os planos, as idéias, as idas no cinema, o sorvete na pracinha, o pôr-do-sol em frente o mar, as tantas horas de viajem pra poder sentir o abraço.
Realmente teria sido uma história bonita, bonita até demais.
Melhor sentir falta do que poderia ter sido mas não foi. Do que pedir pra não ter sido o que de fato foi.
E lá se vai mais um post entre surtos e ataques clichés, mais um.
"So I turn the page and read the story again and again and again"
Jack Johnson - Never Know
Escrito à lápis por Amanda 1 rabiscos
Marcadores: Desimportâncias, Reticências, Surtos